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Fusões e Aquisições crescem mais entre empresas emergentes
13-05-2011
Empresas dos países emergentes parecem estar perdendo seu apetite por Fusões e Aquisições de companhias de economias desenvolvidas. Após uma forte alta no número de transações no primeiro semestre de 2010, os totais de negócios caíram no segundo semestre, forçando as organizações ocidentais a reconsiderarem sua atratividade para investidores internacionais.
De acordo com o último Emerging Markets International Acquisition Tracker (EMIAT) da KPMG, foram realizados 239 negócios no sentido Emergentes-Desenvolvidos na segunda metade do ano passado, contra 265 de janeiro a junho (número significativamente acima dos 195 acordos no segundo semestre de 2009).
Apesar das condições para a realização de negócios estarem ficando mais fáceis em todo mundo, esta última queda – aliada a um pequeno aumento no volume de negócios entre mercados emergentes – pode sugerir que, atualmente, os ativos nos mercados desenvolvidos não estão mais tão atraentes quanto no começo do ano passado.
Já as transações no sentido Desenvolvidos-Emergentes registraram crescimento de 2%, com 812 acordos. Embora seja um pequeno aumento, os dados mostram que as F&A lideradas por Desenvolvidos em países Emergentes voltaram aos níveis recordes de 2008.
“Após a forte movimentação no início de 2010, houve uma expectativa geral de que os negócios no sentido Emergentes-Desenvolvidos continuariam em alta. Entretanto, apesar do alto poder aquisitivo de alguns compradores isso não aconteceu, não por conta do preço das empresas-alvo, mas pelo contrário: O que parece estar acontecendo é que os mercados desenvolvidos não são – no momento – mais tão atraentes como eram anteriormente”, afirma Luís Motta, sócio da área de Fusões e Aquisições da KPMG no Brasil.
Motta pondera, entretanto, que existem exceções e que alguns compradores ainda se voltarão para o Ocidente à procura de marcas, tecnologia e propriedade intelectual, mas, normalmente, para serem colocados em uso nos seus próprios mercados de origem.
“O poder de compra do consumidor ocidental continua enfraquecido. Isto tem repercussões importantes para as empresas desenvolvidas que acabam se tornando menos atraentes para as emergentes. As companhias de países emergentes vêm desenvolvendo produtos projetados para venda tanto no mercado interno quanto externo de forma bastante competitiva”, complementa Motta.
O estudo da KPMG analisa o fluxo de negócios entre 15 economias desenvolvidas e 13 economias de países emergentes, com o objetivo de monitorar a convergência de negócios no sentido Emergentes-Desenvolvidos e vice-versa. A diferença entre os dois vem diminuindo, de maneira não linear, à medida que as economias emergentes estão se tornando mais fortes.
A atividade no sentido Emergentes-Desenvolvidos atingiu 24% do total de Desenvolvidos-Emergentes em 2006, mas foi a 35% no início de 2009 e permaneceu em 33% no primeiro semestre de 2010. Já no segundo semestre do ano passado, esse número caiu para 29%.
Agora, a nova tendência que deve ser observada é das aquisições no sentido Emergentes-Emergentes, visto que as empresas visam acesso a matérias-primas, fontes de energia e mercados consumidores que demonstrem características similares aos seus próprios mercados domésticos. O número de acordos entre empresas emergentes está crescendo. Foram 132 operações no segundo semestre de 2010 contra 118 no primeiro. E o número atual já se aproxima do recorde deste tipo de transação alcançado em 2008.
Sobre o EMIAT:
A pesquisa analisou fluxos de negócios entre 15 economias ou grupos de economias desenvolvidas e 13 economias ou grupos de economias emergentes.
Os 15 países ou grupos desenvolvidos são: Reino Unido, EUA, Canadá, Espanha, França, Alemanha, Holanda, Itália, Austrália, Cingapura, Hong Kong, Japão, Europa (Outros), o Grupo Offshore e Oceania.
As 13 economias ou grupos emergentes são: Brasil, Rússia, Índia, China, Europa Central e Oriental, o CIS, Malásia, Sudeste da Ásia, África do Sul, Oriente Médio e África do Norte, África sub-Sahara, América do Sul (exceto Brasil) e América Central e o Caribe.
Todos os dados brutos contidos no EMIAT foram obtidos da Thomson Reuters SDC. Somente aquelas transações classificadas como “concluídas” entre janeiro de 2005 e dezembro de 2010 – e que tiveram um comprador comercial assumindo pelo menos 5 por cento da participação acionária em uma empresa no exterior foram incluídas. Negócios que envolviam respaldo governamental, empresas de capital privado ou outras instituições financeiras não foram incluídos.
Fonte: http://www2.uol.com.br/canalexecutivo/notas11/1305201115.htm
Acesso em: 16/05/2011 às 12:10
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